Alergia alimentar: ela está mais comum, mas nem tudo é culpa dela

Você deve conhecer alguém que tem alergia alimentar. As alergias alimentares, de fato, estão mais prevalentes, mas também há outras reações adversas causadas por alimentos que acabam se confundindo com elas. Uma comida estragada pode provocar intoxicação ou infecção, algo que é mal digerido leva a uma intolerância, assim como uma proteína potencialmente alergênica pode ser mal interpretada pelo sistema imune e disparar uma alergia.

Em circunstâncias normais, as proteínas são reconhecidas e o alimento é tolerado. Na alergia alimentar, no entanto, essa mesma proteína é vista como uma ameaça e o sistema de defesa do organismo desata uma reação anormal para combatê-la. Isso leva a manifestações que podem ocorrer na pele, no trato gastrointestinal, no aparelho respiratório ou até mesmo serem sistêmicas.

De acordo com o mecanismo imunológico envolvido, as alergias são classificadas em IgE mediada, não IgE mediada e mista. Na alergia IgE mediada, o sistema imunológico produz anticorpos específicos que causam manifestações como manchas avermelhadas, inchaço, coceira, falta de ar e anafilaxia, em alguns segundos ou em até duas horas depois do contato.

Na alergia não mediada por IgE, a hipersensibilidade é mediada por outras células e as manifestações gastrointestinais, como diarreia, sangue nas fezes, cólica e refluxo, podem aparecer horas ou dias após a ingestão do alérgeno. Quando há envolvimento dos dois sistemas, classificamos a alergia como mista.

Mais de 170 alimentos têm sido identificados como gatilhos de reações alérgicas, mas a grande maioria delas é causada por apenas oito: leite de vaca, ovo, amendoim, castanhas, soja, trigo, frutos do mar e peixe.

Uma associação entre fatores genéticos e ambientais, como dieta, duração do aleitamento materno e tipo de parto, é o que determina se o alimento será ou não aceito pelo organismo de cada um.

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O trato gastrointestinal tem um papel fundamental nessa resposta porque, além de digerir e de absorver os nutrientes, comporta um sistema de defesa. Sabemos que alterações no intestino, incluindo a integridade de sua estrutura como uma barreira física e a composição das bactérias que moram ali, interferem no risco da sensibilização alérgica.

É fato que o número de diagnósticos de alergia alimentar vem aumentando a cada década. Atualmente, estima-se que 10% da população mundial apresente alergia alimentar, mas é muito difícil saber isso com precisão porque muitos fatores interferem nesses dados — diferenças geográficas, idade dos avaliados, cultura alimentar, além das diferenças de definição, de critério diagnóstico e de metodologia entre as análises.

O diagnóstico da alergia alimentar é bastante complexo e envolve a coleta da história do paciente, o seguimento da dieta isenta do alimento do qual se suspeita, com a posterior aplicação de um teste de provocação oral, que é a nova exposição ao alérgeno, realizada sob orientação e, muitas vezes, sob supervisão médica.

Alguns exames podem ser solicitados, a depender do mecanismo imunológico envolvido e dos sintomas apresentados, mas seus resultados precisam ser avaliados com bastante minúcia, e sob a luz da história clínica.

Um dado interessante é que a estimativa de casos de alergia alimentar é sempre maior em pesquisas que consideram a referência do paciente ou da família, em comparação com estudos que se utilizam de bons métodos diagnósticos, como o teste de provocação oral.

Vale ressaltar que muitas das alergias alimentares da infância se resolvem com o passar do tempo, embora haja casos que persistam.

Para que não se faça restrição alimentar sem necessidade, dois cuidados são importantes: precisão no diagnóstico e acompanhamento médico para monitorar a remissão do problema. Enquanto necessária, e somente se necessária, a dieta de exclusão do alérgeno tem de ser seguida. E, aí, o nutricionista trabalha para minimizar o risco nutricional e o impacto social que a restrição traz para o paciente e sua família.

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