O Brasil no mapa das startups de saúde mais promissoras

A Bio Digital aconteceu em junho e reuniu mais de 7 mil participantes, entre pesquisadores, empreendedores e representantes de indústrias e órgãos governamentais. O evento virtual expõe e reconhece as principais promessas tecnológicas para o combate de doenças e a melhoria da qualidade de vida.

Este ano, pela primeira vez, cinco healthtechs nacionais foram selecionadas pela Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para mostrar suas inovações.

“As startups são uma via promissora no desenvolvimento de medicamentos e outras soluções imprescindíveis no enfrentamento dos novos desafios da população”, avalia Norberto Prestes, presidente-executivo da Abiquifi. Confira as cinco iniciativas de destaque.

Remédio para câncer agressivo

Ao estudarem as características de uma molécula encontrada no bioma brasileiro, pesquisadores da PHP Biotech, de Botucatu (SP), perceberam que ela tinha uma ação antitumoral. O passo seguinte foi sintetizá-la em laboratório, eliminando a parte tóxica de sua constituição.

Estava nascendo, assim, um medicamento inédito que, nos testes, se mostrou eficaz contra o câncer de mama do tipo triplo negativo, um dos mais agressivos. E o melhor: preservando as células saudáveis. A partir da feira de tecnologia, a empresa iniciou uma cooperação com duas instituições americanas, e a perspectiva é ter o novo fármaco disponível em cerca de cinco anos.

Genética na prescrição médica

A decodificação do genoma humano vem possibilitando um salto na chamada medicina de precisão, que leva em conta as características de cada pessoa e a maneira como seu organismo reage a determinados tratamentos.

Laboratório de genética e bioinformática, a GnTech, de Florianópolis, representou o Brasil na Bio Digital demonstrando justamente um avanço na maneira de prescrever medicamentos: os testes farmacogenéticos que guiam a tomada de decisão das melhores terapias para pacientes com doenças neurológicas, cardíacas, oncológicas e psiquiátricas.

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Inteligência artificial no diabetes

Fazer o controle da glicemia é uma tarefa fundamental e também um desafio no dia a dia de quem precisa evitar os altos e baixos da glicose no sangue administrando de forma correta a insulina.

Para facilitar a rotina de quem tem diabetes e promover a adesão ao tratamento, a GlucoGear, de Ribeirão Preto (SP), desenvolveu um aplicativo e uma plataforma em que a pessoa registra os dados glicêmicos, informa sua alimentação e se pratica atividade física e lista os medicamentos que toma. Ao acompanhar esse histórico, o mecanismo de inteligência artificial faz a contagem de carboidrato da dieta e calcula a dose de insulina necessária, evitando o risco dos temidos episódios de hipo ou hiperglicemia.

Carreadores antitumores

O foco do trabalho da Bioptamers, startup incubada na Universidade de São Paulo (USP), é a criação de intervenções terapêuticas personalizadas contra o câncer por meio de uma plataforma de desenvolvimento de aptâmeros. Também conhecidas como anticorpos sintéticos, essas pequenas moléculas são projetadas para identificar as células cancerosas e levar o tratamento até esses pontos específicos.

Ao conduzirem as drogas da quimioterapia até os tumores, evitando que atinjam células normais, esses nanocarreadores não apenas aumentam a eficiência do tratamento como diminuem seus efeitos colaterais. De acordo com os desenvolvedores, a abordagem ainda apresenta custo mais baixo quando comparado ao de anticorpos monoclonais e terapias celulares e gênicas, por exemplo.

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Calculador de doses de radioterapia

Também baseada em Florianópolis, a RT Medical Systems estabeleceu como missão construir soluções para serviços de radioterapia. O software criado pela empresa já está instalado em seis hospitais do país. Com ele, é possível simplificar os fluxos de trabalho e facilitar o acesso aos dados e exames de imagem dos pacientes.

Com todas as informações num mesmo lugar, a tecnologia permite revisar o plano de tratamento, além de direcionar o local exato e calcular a dose de radiação que deve ser aplicada em quem está em tratamento oncológico. A participação no evento internacional abre uma porta para a expansão do uso da tecnologia no Brasil e no mundo.

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