Perrengues e cuidados à vista

Comigo foi assim: em pouco mais de um ano de pandemia, tendo o privilégio de labutar em esquema de home office, o que era algo límpido e vivo se tornou nebuloso — as legendas das séries de TV começaram a ficar cada vez mais borradas. Naquela hora da noite em que desaquecemos os motores para dormir, meus olhos já entregavam o ponto bem antes. E as letrinhas na tela ficavam terrivelmente nubladas.

Vá lá, uso óculos há anos, tenho 5 graus de miopia, mas imaginava que, na proteção do lar, meus globos oculares só apanhariam um pouco mais devido à maior dependência do celular e do computador para o trabalho e o convívio social. Subestimei o impacto. Entre telas e livros, na clausura imposta pelo isolamento contra a Covid-19, a maquinaria formada por retina, córnea, cristalino e afins passou a dar sinais de falha.

Era só vista cansada? A miopia piorou? Tem alguma outra coisa fechando as cortinas? Bem, meu caso é um cisco no universo de milhões de pessoas que passaram a reclamar de problemas de visão durante a pandemia — fenômeno que as pesquisas já estão visualizando. Resumo a equação: mais dispositivos eletrônicos, menos luz natural e consultas ao oftalmo é igual a prejuízos oculares.

É outro reflexo destes tempos árduos, e uma pauta e tanto para a jornalista Chloé Pinheiro, também vítima da chamada síndrome da visão de computador. Mas nossa repórter aproveita o ensejo para, além de inspecionar as repercussões fisiológicas e comportamentais do novo normal aos olhos, vislumbrar o que a medicina tem feito para corrigir uma legião de problemas que turvam a paisagem — de miopia a catarata, passando por presbiopia, glaucoma e degeneração macular.

Entre avanços e conselhos práticos — Chloé conta que, aplicando uma das regras ensinadas na reportagem, sentiu o cansaço visual melhorar —, a ideia é dar um panorama dos obstáculos e das soluções à saúde ocular. Afinal, enxergar não só contempla um dos sentidos mais venerados pelo ser humano como tem tudo a ver com a qualidade de vida.

E esse não é um tema menor em meio à crise sanitária que atravessamos. Pelo contrário: é assunto de saúde pública. Dá pra perder de vista o número de brasileiros que ficam cegos ou com deficiências visuais severas devido a males por vezes evitáveis ou controláveis. Precisamos abrir os olhos (também) para esse problema. Em tempo: já marquei o oftalmologista!

Gente nova no pedaço

A redação de VEJA SAÚDE foi construída, ao longo de sua história inclusive como SAÚDE É VITAL, por brasileiros de praticamente todas as regiões do país. De Recife a Porto Alegre, entre jornalistas e designers, tem dedos, sotaques e culturas diversas impregnando nossas criações.

Mantendo acesa a tradição, contamos agora com uma inédita representante do Piauí em nossa equipe, a repórter Ingrid Luisa, que, no Grupo Abril, já trabalhou na SUPER. Empolgada e ávida por pautas sobre saúde e comportamento, ela estreia nesta edição com uma matéria discutindo a nova revolução sexual que a sociedade vem experimentando. Bem-vinda, Ingrid!

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