Na avaliação do Doutor Gilmar Stelo, advogado e fundador do Stelo Advogados, o trabalho jurídico não acontece isoladamente das decisões que movimentam uma empresa. Contratos, investimentos, contratações, disputas e mudanças estratégicas envolvem consequências que vão além da interpretação de uma norma. Por isso, entender o negócio do cliente passou a ser uma competência importante para o profissional jurídico que pretende avaliar riscos de forma mais completa e participar de decisões com maior impacto.
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O conhecimento técnico resolve todas as questões?
A formação jurídica fornece as ferramentas necessárias para interpretar leis, contratos, decisões judiciais e obrigações. No entanto, uma mesma questão pode produzir consequências muito diferentes conforme o modelo de negócio envolvido. Um contrato, por exemplo, não representa apenas um conjunto de cláusulas. Ele pode estar ligado a fornecedores, fluxo financeiro, prazos operacionais e estratégias comerciais. Compreender essas conexões ajuda o profissional a avaliar a relevância jurídica de cada aspecto dentro da realidade da empresa.
Conhecer esse contexto permite identificar quais pontos realmente exigem atenção. Uma cláusula aparentemente secundária pode ser relevante para uma empresa que depende de entregas rápidas, enquanto determinado risco pode ter peso menor em outra organização. A análise deixa de considerar somente a regra aplicável e passa a observar também seus efeitos práticos. Dessa forma, a orientação jurídica pode considerar as consequências que uma decisão terá sobre a operação, evitando análises desconectadas das necessidades do negócio.
O Doutor Gilmar Stelo ressalta que essa mudança de perspectiva não diminui a importância do conhecimento técnico. Pelo contrário. Quanto melhor o profissional compreender a operação, mais condições terá de aplicar seu conhecimento jurídico às circunstâncias que deram origem à demanda. A combinação entre domínio das normas e compreensão do negócio permite uma atuação mais precisa, especialmente diante de decisões que envolvem diferentes áreas da empresa.
Por que conhecer a operação muda a análise jurídica?
Imagine uma empresa que pretende lançar um novo serviço. A análise jurídica pode envolver contratos, proteção de dados, relações de consumo, propriedade intelectual e responsabilidades. Porém, sem conhecer como o serviço será vendido, quem utilizará a solução e quais dados serão coletados, fica mais difícil dimensionar os riscos envolvidos. Também é necessário compreender como a atividade será executada e quais profissionais ou parceiros estarão envolvidos, pois esses elementos podem criar obrigações e responsabilidades diferentes.

Segundo o Doutor Gilmar Stelo, é nesse ponto que a atuação jurídica pode se tornar mais estratégica. O profissional precisa fazer perguntas, compreender processos e identificar quais decisões dependem de avaliação jurídica antes de serem implementadas. O objetivo não é participar de todas as etapas da operação, mas saber quais delas possuem consequências relevantes. Com essa visão, o advogado consegue antecipar questões que poderiam surgir posteriormente e orientar a empresa antes que determinadas escolhas sejam colocadas em prática.
O advogado precisa conhecer profundamente cada setor?
Não necessariamente. Uma compreensão adequada do negócio não exige que o profissional domine todos os aspectos técnicos da atividade econômica. O mais importante é conhecer os elementos que interferem diretamente na questão jurídica analisada. Essa visão permite concentrar a análise nos pontos que realmente podem gerar consequências legais, sem exigir que o advogado assuma funções próprias de outras áreas da empresa.
De acordo com o Doutor Gilmar Stelo, isso inclui compreender quem são os principais envolvidos, como a empresa gera receita, quais são suas obrigações, quais relações contratuais sustentam a operação e quais riscos podem comprometer suas atividades. Dependendo do caso, também pode ser necessário entender características específicas do mercado em que o cliente atua. Essas informações ajudam a relacionar a orientação jurídica às condições reais da atividade e a identificar situações que poderiam passar despercebidas em uma análise mais restrita.
Essa aproximação exige escuta e capacidade de fazer perguntas relevantes. O advogado que conhece apenas o documento apresentado pode deixar de perceber circunstâncias importantes que aparecem somente quando a operação é analisada de maneira mais ampla. Conversar com diferentes áreas e compreender como os processos funcionam pode revelar detalhes essenciais para avaliar riscos e formular uma orientação mais adequada ao cliente.