Combinação de terapias, revisão do diagnóstico e tratamentos como a escetamina estão entre as estratégias avaliadas para pacientes que continuam apresentando sintomas mesmo após tentativas adequadas com antidepressivos.
Pacientes que convivem com depressão e não apresentam melhora satisfatória mesmo após diferentes tentativas de tratamento podem enfrentar um quadro conhecido como depressão resistente ao tratamento. O tema voltou ao debate nesta terça-feira, 25 de agosto de 2026, com especialistas destacando que a palavra “resistente” não significa que não existam possibilidades de melhora. Em muitos casos, uma avaliação mais detalhada do diagnóstico, das doses e do tempo de utilização dos medicamentos, além da combinação de diferentes estratégias terapêuticas, pode abrir novos caminhos para o controle dos sintomas. (Folha de S.Paulo)
A depressão resistente exige atenção especial porque não existe uma única abordagem capaz de funcionar para todos os pacientes. Antes de considerar que determinado quadro não responde aos medicamentos, especialistas precisam avaliar se o tratamento anterior foi realizado em dose adequada e pelo período necessário, além de investigar outras condições que possam interferir na resposta. A estratégia pode envolver ajustes nos antidepressivos, associação de medicamentos e psicoterapia, além de outras intervenções indicadas conforme a gravidade e as características individuais de cada caso. (Folha de S.Paulo)
Cetamina e escetamina aparecem entre alternativas estudadas
Entre as alternativas que ganharam espaço na psiquiatria estão a cetamina e a escetamina, substâncias estudadas há anos por seu potencial antidepressivo de ação rápida. Documento do Conselho Federal de Medicina aponta que pesquisas com doses subanestésicas encontraram efeitos antidepressivos de rápida instalação em pacientes com transtornos de humor, incluindo casos resistentes a tratamentos anteriores. Entre os possíveis efeitos adversos descritos estão náusea, vômito, elevação transitória da pressão arterial e da frequência cardíaca, cefaleia, tontura e sintomas dissociativos. (CFM Sistemas)
No Brasil, é importante diferenciar as apresentações e indicações desses medicamentos. Parecer do CRM-PR registra que a escetamina em spray nasal possui aprovação da Anvisa para depressão resistente em adultos, enquanto o emprego da apresentação injetável para transtornos mentais é considerado off label. O mesmo documento ressalta que esse tipo de tratamento exige estrutura adequada, acompanhamento profissional, critérios clínicos e cuidados relacionados à segurança do paciente. A própria regulamentação sanitária também prevê controles devido ao potencial de uso indevido da substância. (CFM Sistemas)
Tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por especialistas
A discussão sobre novas terapias também reforça que medicamentos de ação rápida não devem ser vistos como soluções isoladas ou substitutos automáticos dos tratamentos já utilizados. A depressão é uma condição complexa, influenciada por fatores biológicos, psicológicos, ambientais e sociais, e diferentes pacientes podem responder de maneiras distintas às mesmas intervenções. Estudos recentes continuam investigando inclusive fatores genéticos associados à depressão e à ansiedade, buscando compreender melhor os mecanismos envolvidos e, futuramente, favorecer tratamentos mais personalizados. (Folha de S.Paulo)
Por isso, pessoas que continuam apresentando sintomas apesar do tratamento não devem interromper antidepressivos, trocar doses ou procurar substâncias alternativas por conta própria. A avaliação médica permite verificar se existe realmente resistência ao tratamento, reconsiderar o diagnóstico e definir quais estratégias apresentam relação mais adequada entre possíveis benefícios e riscos. O avanço de alternativas como a escetamina amplia as possibilidades disponíveis na psiquiatria, mas a escolha depende da situação clínica individual e deve ocorrer sob acompanhamento especializado.