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Brasil

Brasil quase dobra serviços de cuidados paliativos, mas acesso continua desigual

Diego Velázquez
Diego Velázquez 12 de agosto de 2026
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9 Min de leitura
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Número de programas especializados passou de 234 para 423 entre 2022 e 2025, avanço de 88,8%; concentração dos serviços nas capitais e no Sudeste ainda dificulta atendimento no interior e em regiões menos assistidas

Contents
O que são cuidados paliativos?Sudeste concentra 40% dos programasInterior ainda enfrenta dificuldade de acessoMais de 625 mil brasileiros precisam desse atendimento anualmenteNúmero de programas cresceu 88,8% em três anosHospices ainda são raros no BrasilFormação de profissionais é outro desafioBrasil avança, mas distribuição precisa melhorar

O Brasil registrou uma expansão expressiva na oferta de cuidados paliativos, modalidade de assistência destinada a melhorar a qualidade de vida de pessoas que enfrentam doenças graves, crônicas ou progressivas. Apesar do avanço, a distribuição dos serviços continua bastante desigual entre as regiões do país, mantendo milhares de pacientes distantes de equipes especializadas. (Estado de Minas)

Dados apresentados pela Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP) mostram que o número de programas especializados passou de 234 em 2022 para 423 em 2025. Isso representa crescimento de aproximadamente 88,8% em apenas três anos, praticamente dobrando a estrutura disponível no país. (Futuro da Saúde)

O crescimento ocorre em um momento de aumento da demanda. Segundo dados repercutidos nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, mais de 625 mil brasileiros necessitam de cuidados paliativos todos os anos. O envelhecimento populacional e o aumento da prevalência de doenças crônicas e progressivas estão entre os fatores que ajudam a explicar essa necessidade. (Estado de Minas)

O que são cuidados paliativos?

Ao contrário de uma ideia ainda comum, cuidados paliativos não são destinados exclusivamente aos últimos dias de vida. A abordagem busca aliviar sofrimento e melhorar a qualidade de vida de pessoas que convivem com doenças graves, assim como oferecer suporte aos familiares.

O atendimento pode envolver controle da dor e de outros sintomas, apoio psicológico, assistência social, orientação aos familiares e planejamento dos cuidados. Dependendo do quadro clínico, ele pode ser realizado paralelamente a tratamentos destinados ao controle da própria doença.

Por isso, equipes paliativas costumam reunir profissionais de diferentes especialidades. Médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais e outros profissionais podem participar do acompanhamento de acordo com as necessidades de cada paciente.

Sudeste concentra 40% dos programas

Apesar da expansão nacional, os dados revelam uma forte desigualdade regional. Aproximadamente 40% dos programas brasileiros de cuidados paliativos estão concentrados na região Sudeste. (Estado de Minas)

No extremo oposto aparece a região Norte, responsável por apenas 3% dos serviços existentes. A diferença significa que o local onde uma pessoa mora ainda pode influenciar significativamente sua possibilidade de encontrar atendimento especializado. (Estado de Minas)

A desigualdade não ocorre apenas entre as cinco regiões brasileiras. Existe também uma forte concentração dos serviços nas grandes cidades: 65% dos programas funcionam nas capitais, segundo os dados divulgados pela ANCP. (Estado de Minas)

Interior ainda enfrenta dificuldade de acesso

A concentração nas capitais deixa uma parcela importante da população do interior distante dos centros especializados. Em determinadas localidades, pacientes com doenças graves precisam percorrer grandes distâncias para encontrar equipes capacitadas em cuidados paliativos.

Esse cenário pode ser especialmente complexo para pessoas com limitações de mobilidade ou doenças em estágio avançado. Viagens longas e frequentes podem representar uma dificuldade adicional tanto para o paciente quanto para familiares e cuidadores.

O problema ganha dimensão maior em estados territorialmente extensos e com municípios separados por grandes distâncias. Nesses locais, fortalecer equipes locais, atendimento domiciliar e integração dos cuidados paliativos com a atenção básica pode ser decisivo para ampliar a cobertura.

Mais de 625 mil brasileiros precisam desse atendimento anualmente

A necessidade de ampliar os serviços tende a crescer nas próximas décadas. O envelhecimento da população brasileira significa que mais pessoas poderão conviver por períodos prolongados com doenças cardiovasculares, câncer, doenças neurológicas e outras condições crônicas e progressivas.

Segundo a ANCP, mais de 625 mil brasileiros necessitam de cuidados paliativos a cada ano. (Estado de Minas)

Esse número ajuda a mostrar por que a expansão dos programas é relevante, mas também evidencia o desafio de transformar crescimento quantitativo em acesso efetivo.

Ter mais serviços não significa necessariamente que eles estejam disponíveis onde a população mais precisa. A distribuição territorial, o número de profissionais capacitados e a integração com o restante da rede de saúde são fatores fundamentais.

Número de programas cresceu 88,8% em três anos

A expansão recente representa uma mudança importante no cenário brasileiro. Entre 2022 e 2025, o número de programas saltou de 234 para 423. (Futuro da Saúde)

O crescimento também dá continuidade a um processo iniciado há décadas. O primeiro serviço brasileiro de cuidados paliativos surgiu na década de 1980, mas a expansão ganhou força principalmente a partir dos anos 2000. Entre 2010 e 2019, por exemplo, foram registrados 104 novos serviços, enquanto entre 2020 e 2022 já haviam sido cadastrados outros 90. (Medicina SA)

A evolução indica maior reconhecimento da importância dessa modalidade de assistência dentro da medicina brasileira. O desafio agora passa por ampliar a presença dos serviços fora dos grandes centros.

Hospices ainda são raros no Brasil

Outro ponto que chama atenção é a pequena quantidade de hospices, estruturas especializadas no acolhimento de pacientes com doenças graves e necessidades paliativas.

Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira, a região Sudeste possui apenas quatro hospices. (Estado de Minas)

Esse modelo de atendimento é mais consolidado em alguns países e busca oferecer um ambiente preparado para pacientes que necessitam de controle de sintomas, conforto e acompanhamento especializado.

No Brasil, boa parte dos cuidados ainda acontece dentro de hospitais gerais, ambulatórios ou no próprio domicílio, dependendo da estrutura disponível em cada município.

Formação de profissionais é outro desafio

A ampliação física dos serviços precisa ser acompanhada pela formação de profissionais. Cuidados paliativos exigem competências específicas relacionadas ao controle de sintomas, comunicação com pacientes e familiares, tomada compartilhada de decisões e planejamento terapêutico.

A própria ANCP vem produzindo materiais destinados à capacitação de profissionais e à orientação de instituições de saúde. A entidade também mantém publicações específicas para diferentes áreas envolvidas no cuidado paliativo. (ANCP)

A expansão dessa formação pode ajudar hospitais e unidades de saúde que não possuem equipes exclusivamente dedicadas aos cuidados paliativos a incorporar princípios dessa abordagem no atendimento cotidiano.

Brasil avança, mas distribuição precisa melhorar

Os números mostram dois movimentos acontecendo simultaneamente. De um lado, o Brasil vive uma expansão significativa da oferta, com crescimento próximo de 90% no número de programas especializados em apenas três anos. (Futuro da Saúde)

Do outro, a estrutura continua fortemente concentrada. Enquanto 40% dos programas estão no Sudeste e 65% funcionam nas capitais, apenas 3% estão localizados na região Norte. (Estado de Minas)

Essa diferença coloca a interiorização dos cuidados entre os principais desafios para os próximos anos. Expandir equipes, capacitar profissionais e integrar o atendimento paliativo à atenção primária e aos serviços domiciliares são caminhos que podem reduzir a distância entre os pacientes e o cuidado especializado.

Com uma população que envelhece e tende a conviver por mais tempo com doenças crônicas, a demanda também deve continuar aumentando. O crescimento registrado nos últimos anos mostra que os cuidados paliativos estão ganhando espaço no sistema de saúde brasileiro, mas os dados deixam claro que ampliar a quantidade de serviços é apenas parte do desafio: será necessário garantir que eles cheguem de maneira mais equilibrada às diferentes regiões do país.

Fontes: Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP), Atlas de Cuidados Paliativos e reportagem publicada pelo Estado de Minas em 12 de agosto de 2026. (Estado de Minas)

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