Congresso Brasileiro de Informática em Saúde começa nesta quarta-feira, em Brasília, com discussões sobre IA, telemedicina, segurança de dados, interoperabilidade e novas tecnologias aplicadas ao atendimento médico
O avanço da tecnologia está modificando a forma como médicos, hospitais e demais profissionais da saúde trabalham, e a inteligência artificial ocupa cada vez mais espaço nesse processo. É nesse cenário que começa nesta quarta-feira (23), em Brasília, o XXI Congresso Brasileiro de Informática em Saúde (CBIS 2026), evento promovido pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) que reúne especialistas, pesquisadores, gestores, profissionais da área e representantes de empresas para discutir os caminhos da transformação digital no Brasil. (SBIS)
Realizado entre os dias 23 e 25 de setembro, no Royal Tulip Brasília Alvorada, o congresso tem como tema “Inovação Ética e Sustentável na Saúde Digital Brasileira”. A programação aborda desde aplicações práticas de inteligência artificial até integração de sistemas, governança de dados, telessaúde, segurança da informação e mudanças na relação entre pacientes e serviços de saúde. (SBIS)
Inteligência artificial ganha espaço nas discussões sobre medicina
Um dos principais assuntos do CBIS 2026 é justamente o uso da inteligência artificial na saúde. A programação do primeiro dia inclui debates específicos sobre a adoção e as perspectivas da IA no setor brasileiro, além de discussões sobre telemedicina, apoio à decisão, gestão e diferentes aplicações tecnológicas dentro de hospitais e serviços médicos. (SBIS)
Entre os destaques está o painel “TIC Saúde 2025: Adoção e Perspectivas da Inteligência Artificial na Saúde Brasileira”, marcado para a tarde desta quarta-feira. A discussão envolve especialistas ligados à informática em saúde, universidades e ao Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, colocando em debate como a tecnologia vem sendo incorporada ao cotidiano do setor. (SBIS)
O congresso também discute o uso de IA em áreas diretamente relacionadas ao atendimento. A programação inclui um painel sobre telemedicina inteligente, com integração entre inteligência artificial, dados e novos modelos de cuidado. Outro debate aborda a utilização de tecnologia e IA para otimização e redução de glosas, mostrando que a aplicação dessas ferramentas não se limita ao diagnóstico ou ao atendimento clínico. (SBIS)
A própria organização do CBIS estabeleceu uma abordagem voltada à utilização responsável dessas tecnologias. O evento prevê discussões sobre limitações, riscos, transparência e supervisão humana, especialmente nas demonstrações de soluções de inteligência artificial. A proposta é aproximar inovação tecnológica de critérios de segurança e avaliação antes da incorporação de ferramentas ao ambiente de saúde. (SBIS)
Telemedicina, dados e hospitais inteligentes também entram na agenda
A transformação digital da medicina não depende apenas da inteligência artificial. Outro eixo importante do congresso é a capacidade de diferentes sistemas de saúde conversarem entre si e compartilharem informações de maneira segura. Por isso, a interoperabilidade aparece entre os principais temas do CBIS 2026, especialmente em debates relacionados à integração de dados e à Rede Nacional de Dados em Saúde. (SBIS)
Na programação desta quarta-feira, um dos painéis aborda especificamente os desafios para integração, governança e coordenação federativa da Rede Nacional de Dados em Saúde. A discussão envolve representantes de secretarias estaduais, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde e do Ministério da Saúde, evidenciando a dimensão nacional do processo de digitalização dos serviços. (SBIS)
Outro destaque é a discussão sobre hospitais inteligentes. A programação prevê uma sessão dedicada à transformação digital e à inteligência assistencial, mostrando como sistemas conectados podem ser utilizados para apoiar processos dentro das instituições de saúde. A agenda também contempla tecnologias quânticas e suas possíveis aplicações e impactos no setor. (SBIS)
A interoperabilidade também ganha espaço nas demonstrações práticas do congresso. O Showcase de Interoperabilidade em Saúde foi criado para apresentar soluções capazes de trocar informações de forma padronizada e segura, utilizando referências como o HL7 FHIR e a Rede Nacional de Dados em Saúde. Entre os casos previstos estão registros eletrônicos de saúde, prescrição digital, exames, regulação e compartilhamento de informações clínicas. (SBIS)
Segurança e responsabilidade se tornam desafios para a medicina digital
Com o crescimento da quantidade de informações digitais utilizadas pelos serviços de saúde, segurança e privacidade também passam a ocupar posição central. Dados médicos possuem caráter sensível, e a expansão de sistemas conectados aumenta a necessidade de mecanismos capazes de proteger essas informações contra acessos indevidos e incidentes de segurança.
Por isso, o CBIS 2026 dedica parte da programação aos incidentes de segurança da informação e à privacidade. O painel previsto para esta quarta-feira discute fluxos, responsabilidades e conformidade, com participação de representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Ministério da Saúde e Autoridade Nacional de Proteção de Dados. (SBIS)
A preocupação também aparece quando o assunto é inteligência artificial. As soluções apresentadas no Showcase de IA devem utilizar dados fictícios nas demonstrações, enquanto os participantes precisam abordar aspectos como limitações, riscos, transparência e supervisão humana. A organização também exige que as tecnologias apresentadas estejam efetivamente em produção e tenham uso clínico ou operacional comprovado. (SBIS)
Além da proteção dos dados, o congresso coloca em discussão a responsabilidade associada à adoção de novas tecnologias. Um dos painéis do primeiro dia trata justamente de avaliação, regulação e responsabilidade no uso de novas tecnologias em saúde, reunindo representantes ligados à Conitec, Anvisa e ANS. (SBIS)
O debate mostra que a transformação digital da medicina envolve mais do que incorporar ferramentas tecnológicas. Para que sistemas de IA, telemedicina, prontuários digitais e outras soluções sejam utilizados de maneira ampla, também são necessários critérios de avaliação, profissionais capacitados, integração entre plataformas, proteção das informações e definição clara das responsabilidades envolvidas.
O CBIS 2026 segue até sexta-feira (25), reunindo especialistas, pesquisadores, gestores e profissionais para discutir os rumos da saúde digital no país. Ao longo da programação, inteligência artificial, interoperabilidade, telemedicina, governança de dados, segurança e inovação aparecem como alguns dos principais temas relacionados à transformação dos serviços de saúde. (SBIS)
Para a medicina brasileira, os debates realizados no congresso ajudam a acompanhar uma mudança que já ultrapassa o campo experimental: tecnologias digitais estão sendo incorporadas a diferentes etapas do cuidado, da gestão hospitalar e da relação com o paciente. O desafio passa a ser encontrar formas de utilizar essas ferramentas com segurança, evidências, transparência e atenção às necessidades reais dos serviços e da população.
Fontes:
SBIS — CBIS 2026 começa nesta quarta-feira em Brasília
SBIS — Programação oficial de 23 de setembro
SBIS — Showcase de Inteligência Artificial e Interoperabilidade