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Frio aumenta risco de infarto e AVC e acende alerta para cuidados com o coração

Diego Velázquez
Diego Velázquez 12 de agosto de 2026
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9 Min de leitura
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Baixas temperaturas provocam alterações no organismo que podem elevar a pressão arterial e aumentar a sobrecarga cardiovascular; idosos, hipertensos, diabéticos e pessoas com histórico de doenças cardíacas precisam redobrar os cuidados

Contents
Por que o coração sofre mais no frio?Infarto pode aumentar até 30% nos períodos mais friosSanta Catarina registra aumento nos atendimentos por infartoQuem precisa ter mais cuidado?Mudanças de hábitos durante o inverno também pesamComo proteger o coração nos dias frios?Sintomas de infarto não devem ser ignoradosPrevenção deve continuar durante todo o inverno

As baixas temperaturas do inverno estão colocando a saúde cardiovascular novamente em evidência. Nesta quarta-feira, 12 de agosto de 2026, novos alertas destacam que períodos de frio intenso podem favorecer episódios de infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC), especialmente entre pessoas que já apresentam fatores de risco.

Dados citados pelo Instituto Nacional de Cardiologia indicam que as ocorrências de infarto podem aumentar em até 30% nos períodos mais frios, enquanto os casos de AVC podem apresentar crescimento de aproximadamente 20%. O risco merece atenção principalmente quando as temperaturas ficam abaixo de 14°C. (A Tribuna)

O frio não significa que uma pessoa necessariamente sofrerá um problema cardiovascular. O que acontece é que as baixas temperaturas provocam respostas fisiológicas que podem aumentar a carga de trabalho do coração e agravar fatores de risco já existentes.

Por que o coração sofre mais no frio?

Quando o organismo é exposto a temperaturas baixas, uma de suas estratégias para conservar calor é a vasoconstrição. Nesse processo, os vasos sanguíneos se estreitam para reduzir a perda de temperatura pela pele.

Com os vasos mais estreitos, entretanto, aumenta a resistência para a circulação do sangue. Como consequência, o coração precisa exercer maior esforço para manter o fluxo sanguíneo adequado, e a pressão arterial pode subir. (Drauzio Varella)

O frio também pode provocar maior ativação do sistema nervoso simpático. O organismo libera substâncias como adrenalina e noradrenalina, que podem acelerar os batimentos cardíacos e contribuir para alterações da pressão.

Em uma pessoa saudável, essas adaptações geralmente são toleradas pelo organismo. O cenário pode ser diferente entre pacientes que já apresentam artérias comprometidas, hipertensão, diabetes ou doenças cardiovasculares.

Infarto pode aumentar até 30% nos períodos mais frios

A relação entre inverno e doenças cardiovasculares é observada há anos. Segundo informações do Instituto Nacional de Cardiologia repercutidas em diferentes alertas médicos de 2026, os casos de infarto podem apresentar aumento de até 30% durante os períodos de temperaturas mais baixas. (A Tribuna)

No caso do AVC, o crescimento estimado pode chegar a cerca de 20%. Esses percentuais devem ser entendidos como estimativas populacionais associadas ao período de frio, e não como uma previsão individual de risco para cada pessoa.

O risco depende de diferentes fatores, incluindo idade, histórico familiar, doenças preexistentes, tabagismo, colesterol elevado, pressão arterial, diabetes, sedentarismo e condições gerais de saúde.

Por isso, o frio funciona principalmente como um fator adicional dentro de um conjunto mais amplo de elementos capazes de favorecer eventos cardiovasculares.

Santa Catarina registra aumento nos atendimentos por infarto

Dados recentes de Santa Catarina ajudam a dimensionar a preocupação durante o inverno. Os atendimentos relacionados a infarto realizados pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passaram de 333 em janeiro para 413 em julho de 2026.

A diferença representa um crescimento de aproximadamente 24% entre os dois meses. (Jornal Imagem)

O número não demonstra isoladamente que todos os casos foram provocados pelo frio. Entretanto, reforça o alerta das equipes de saúde para a combinação entre baixas temperaturas e fatores cardiovasculares.

No mesmo período, Santa Catarina também registrou aumento dos atendimentos relacionados a problemas respiratórios. Foram 1.479 registros em janeiro e 2.072 em julho, crescimento de aproximadamente 40%. (Jornal Imagem)

Quem precisa ter mais cuidado?

Alguns grupos precisam de atenção especial durante períodos de frio intenso. Entre eles estão idosos, pessoas com doenças cardiovasculares, hipertensos, diabéticos e pacientes com colesterol elevado.

Pessoas que já sofreram infarto ou AVC também devem evitar mudanças bruscas em seus hábitos de tratamento durante o inverno.

A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo recomenda que cardiopatas, idosos e pessoas com doenças crônicas se protejam adequadamente das baixas temperaturas, reduzam exposições desnecessárias ao frio e mantenham os medicamentos prescritos. (SOCESP)

A idade também influencia. Pessoas mais velhas podem apresentar maior dificuldade para regular a temperatura corporal e frequentemente convivem com mais de um fator de risco cardiovascular.

Mudanças de hábitos durante o inverno também pesam

Nem todo o aumento do risco está relacionado diretamente às respostas fisiológicas ao frio. Mudanças comportamentais típicas do inverno também podem contribuir.

Nos meses mais frios, algumas pessoas reduzem a prática de atividades físicas, passam mais tempo em ambientes fechados e modificam a alimentação. Esses comportamentos podem influenciar pressão arterial, glicemia, colesterol e peso corporal.

Especialistas reforçam que hipertensão, diabetes, colesterol elevado e histórico de doenças cardíacas merecem atenção redobrada durante o inverno. (Todo Dia)

Isso significa que manter hábitos saudáveis continua sendo importante mesmo quando as temperaturas tornam atividades ao ar livre menos confortáveis.

Como proteger o coração nos dias frios?

Uma das medidas mais simples é evitar exposição prolongada a temperaturas muito baixas, principalmente entre pessoas pertencentes aos grupos de risco.

Utilizar roupas adequadas ajuda o organismo a conservar temperatura e reduz a necessidade de respostas intensas para produzir e preservar calor.

Também é importante não interromper medicamentos para pressão, diabetes, colesterol ou doenças cardíacas sem orientação médica. A Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo destaca justamente a necessidade de manter o tratamento habitual durante os períodos frios. (SOCESP)

A prática de exercícios deve continuar quando houver condições seguras, respeitando a situação clínica de cada pessoa. Em dias muito frios, pacientes cardiovasculares podem precisar adaptar horários, intensidade ou local da atividade de acordo com a orientação profissional.

Sintomas de infarto não devem ser ignorados

Reconhecer rapidamente um possível evento cardiovascular pode fazer diferença no atendimento.

Dor ou pressão no peito, especialmente quando persistente ou acompanhada de outros sintomas, merece avaliação imediata. O desconforto pode irradiar para braços, costas, pescoço ou mandíbula.

Falta de ar, suor frio, náusea, tontura e sensação intensa de mal-estar também podem aparecer. Mulheres, idosos e pessoas com diabetes podem apresentar manifestações menos típicas.

No AVC, sinais como perda repentina de força em um lado do corpo, alteração da fala, assimetria facial, dificuldade para enxergar, desequilíbrio súbito ou dor de cabeça muito intensa e inesperada exigem atendimento emergencial.

Prevenção deve continuar durante todo o inverno

Embora o frio seja um fator sazonal, a prevenção cardiovascular precisa acontecer durante todo o ano.

Controlar a pressão arterial, acompanhar diabetes e colesterol, não fumar, manter atividade física adequada e utilizar corretamente os medicamentos prescritos são medidas importantes para reduzir o risco cardiovascular.

Durante períodos de temperaturas particularmente baixas, essas recomendações ganham ainda mais relevância.

O principal alerta é dirigido às pessoas que já apresentam fatores de risco. Para esse grupo, proteger-se adequadamente do frio e manter o acompanhamento médico pode ajudar a evitar complicações.

Os dados divulgados em 2026 reforçam que o inverno não deve ser associado apenas ao crescimento das doenças respiratórias. O coração também sente os efeitos das baixas temperaturas, e reconhecer essa relação pode ajudar a população a adotar medidas preventivas e procurar atendimento rapidamente diante de sinais de infarto ou AVC.

Fontes: Instituto Nacional de Cardiologia, Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo e dados do Samu de Santa Catarina. (A Tribuna)

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