Segundo Pedro Henrique Torres Bianchi, recebíveis podem representar uma parcela importante dos ativos de uma empresa, mas nem sempre mantê-los no balanço é a única alternativa disponível. Em determinadas situações, o desinvestimento pode ser analisado como parte de uma estratégia financeira. Para o advogado e administrador de empresas especializado em reestruturação empresarial e recuperação de crédito, essa decisão exige avaliação dos ativos e dos riscos envolvidos.
O processo começa pela compreensão da carteira. Prazos, condições de pagamento, histórico dos devedores, garantias e documentação influenciam a percepção sobre os créditos e podem alterar sua atratividade em uma eventual operação.
O desinvestimento depende da qualidade da carteira
Não existe uma avaliação única para todos os recebíveis. Créditos com pagamentos regulares apresentam características diferentes daqueles que acumulam atrasos ou dependem de medidas adicionais para recuperação.
Pedro Bianchi explica que ativos estressados precisam ser analisados considerando o grau de incerteza existente. A diferença entre o valor nominal e o valor econômico esperado pode ser relevante na estruturação de uma operação.
A concentração também merece atenção. Uma carteira muito dependente de determinados devedores pode apresentar uma exposição diferente de outra com maior distribuição dos créditos.
Por isso, conhecer a composição dos ativos é uma etapa importante antes de avaliar alternativas de desinvestimento.
FIDCs fazem parte do mercado de recebíveis
Os FIDCs podem participar de operações envolvendo direitos creditórios e integram o conjunto de estruturas disponíveis no mercado de crédito. A utilização desse tipo de estrutura depende das características da operação e das regras aplicáveis.
Pedro Henrique Torres Bianchi destaca que a existência de uma alternativa de mercado não substitui a análise dos créditos. A documentação precisa permitir compreender a origem dos recebíveis, suas condições e os riscos associados à recuperação.

Em uma empresa que passa por reestruturação, o desinvestimento de determinados ativos pode ser considerado dentro de uma estratégia mais ampla. A decisão precisa ser comparada com outras alternativas e avaliada de acordo com os objetivos financeiros e operacionais da companhia.
A precificação é novamente um ponto central. O preço de uma carteira precisa refletir as características dos créditos e as expectativas relacionadas à recuperação dos valores.
A decisão precisa considerar o efeito sobre a empresa
Desinvestir de recebíveis não significa simplesmente transformar um ativo em recurso financeiro. A empresa também precisa avaliar quais direitos estão sendo transferidos, quais riscos permanecem e quais serão os efeitos da operação sobre sua estrutura.
Pedro Bianchi ressalta que a análise jurídica e econômica precisa caminhar conjuntamente. Uma carteira pode apresentar determinado valor contábil, mas suas condições contratuais e riscos de recuperação precisam ser considerados antes da definição de qualquer estratégia.
A formação de Pedro Henrique Torres Bianchi como mestre e doutor em Direito Processual pela Universidade de São Paulo complementa sua experiência em reestruturação empresarial e recuperação de crédito, áreas nas quais contratos, ativos e obrigações precisam ser avaliados de maneira integrada.
Nesse contexto, o mercado de crédito pode oferecer estruturas que ampliam as possibilidades de gestão dos recebíveis. Mas a decisão sobre desinvestimento depende da qualidade dos ativos, da documentação, da precificação e dos objetivos da empresa.
O ponto central, portanto, não está apenas em encontrar uma alternativa para os recebíveis, mas em compreender o que cada carteira representa e como sua eventual transferência pode se encaixar na reorganização empresarial