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Inovação em embalagens: como o design pode reduzir o volume de resíduos gerados?

Lars Norbergsen
Lars Norbergsen 25 de junho de 2026
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6 Min de leitura
Marcello José Abbud
Marcello José Abbud
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Em um mercado cada vez mais pressionado por critérios ambientais, a embalagem deixou de ser apenas um componente logístico para se tornar um dos pontos mais estratégicos da cadeia de produção e consumo. Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, indica que uma parcela expressiva dos resíduos sólidos urbanos gerados diariamente poderia ser evitada se o design das embalagens fosse concebido com critérios de ecodesign desde o início do processo produtivo. A inovação nesse campo não é apenas possível: em muitos casos, ela já está disponível e aguarda escala de adoção. 

Contents
O peso das embalagens no volume total de resíduos urbanosOs princípios do ecodesign aplicados a embalagensTecnologias e materiais que estão transformando o setorO papel da regulação e da responsabilidade estendida do produtor

Ao longo deste conteúdo, veremos como o design pode ser um dos aliados mais poderosos na redução dos resíduos gerados. Leia até o fim para saber mais!

O peso das embalagens no volume total de resíduos urbanos

As embalagens representam uma das maiores frações dos resíduos sólidos urbanos gerados nos países de renda média e alta. Na prática, plásticos flexíveis, caixas de papelão, vidros, latas, embalagens cartonadas e isopor compõem um volume que sobrecarrega sistemas de coleta, usinas de triagem e aterros sanitários. Afinal, grande parte dessas embalagens é projetada para garantir praticidade e redução de custos industriais, sem que a destinação final do material seja considerada como variável no projeto.

Conforme apresenta Marcello José Abbud, o problema não está na embalagem em si, mas na ausência de critérios que orientem seu design em direção à reciclabilidade, à redução de material e à possibilidade de reuso. Em vista disso, embalagens compostas por múltiplas camadas de polímeros diferentes são tecnicamente inviáveis para a reciclagem convencional, mesmo quando descartadas corretamente pelo consumidor. Evidencia-se, assim, que a solução começa antes do produto chegar às prateleiras.

Os princípios do ecodesign aplicados a embalagens

O ecodesign é uma abordagem metodológica que incorpora critérios ambientais ao processo de desenvolvimento de produtos desde a fase de concepção. Aplicado a embalagens, orienta decisões como a redução do peso e do volume de material utilizado, a escolha de polímeros monomateriais que facilitam a reciclagem, a eliminação de tintas e aditivos incompatíveis com o reprocessamento e a adoção de formatos que maximizam o aproveitamento do espaço no transporte, reduzindo emissões logísticas.

Marcello José Abbud
Marcello José Abbud

Na avaliação de Marcello José Abbud, empresas que adotam o ecodesign de forma sistemática tendem a reduzir custos de material ao longo do tempo, além de antecipar exigências regulatórias que já estão em vigor em mercados europeus e que avançam progressivamente no Brasil. De fato, a conformidade com critérios de reciclabilidade começa a integrar os requisitos de compra de grandes varejistas e de fundos de investimento orientados por critérios ESG, tornando o ecodesign uma vantagem competitiva concreta.

Tecnologias e materiais que estão transformando o setor

Os últimos anos trouxeram avanços relevantes em materiais e processos que permitem reduzir o impacto ambiental das embalagens sem comprometer a proteção do produto ou a experiência do consumidor. Bioplásticos derivados de fontes renováveis, papéis com barreiras funcionais que substituem laminados plásticos, embalagens compostáveis para resíduos orgânicos e sistemas de embalagem por recarga ou refil são exemplos de inovações que já estão em estágio comercial em diferentes segmentos.

Sob a perspectiva de Marcello José Abbud, a transição para embalagens mais sustentáveis depende de uma cadeia de decisões que envolve fabricantes de materiais, empresas de bens de consumo, varejistas e consumidores. Até porque nenhum ator isolado tem capacidade de promover a mudança na escala necessária. A criação de padrões setoriais, aliada a incentivos regulatórios e fiscais para embalagens recicláveis ou compostáveis, é o que acelera essa transição de forma estruturada.

O papel da regulação e da responsabilidade estendida do produtor

A responsabilidade estendida do produtor é o mecanismo regulatório que conecta diretamente o fabricante de embalagens ao custo de sua destinação final. Ao tornar o produtor corresponsável pela coleta e pelo tratamento das embalagens que coloca no mercado, esse instrumento cria incentivos econômicos diretos para que o design seja pensado em função da reciclabilidade. Países europeus que adotaram esse modelo observaram reduções significativas no volume de embalagens descartadas em aterros ao longo de uma década.

Conforme reforça Marcello José Abbud, o Brasil dispõe de base legal para a responsabilidade estendida do produtor na Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas a regulamentação setorial ainda avança de forma desigual entre os diferentes tipos de embalagem. Diante dessa realidade, fortalecer esses acordos setoriais, com metas claras de reciclabilidade e conteúdo reciclado, é uma das medidas com maior potencial de impacto sobre o volume de resíduos de embalagens que chegam aos aterros sanitários brasileiros. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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