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A mudança no consumo de energia dos racks afeta o planejamento de datacenters?

Lars Norbergsen
Lars Norbergsen 3 de setembro de 2026
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6 Min de leitura
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
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Um galpão pronto, com espaço de sobra e piso elevado, pode ficar meses sem receber um único servidor novo. Falta potência elétrica disponível, e a fila para ampliar o fornecimento não anda no ritmo do projeto. A obra ficou pronta antes da energia, e o terreno deixou de ser a parte difícil da conta.

Contents
Energia contratada virou a primeira restrição do projetoPor que um rack passou a consumir dez vezes mais?O limite físico do ar-condicionadoComo funciona a refrigeração líquida direta ao chip?O que muda no prédio, e não só na sala?Infraestrutura voltou a ser decisão de prazo

Mudou a carga e, com ela, a ordem das perguntas. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, diretor de tecnologia, considera que planejar um datacenter começa pelo total de megawatts que a operação consegue contratar, e só depois pela metragem disponível. É a potência que define quantos racks entram na sala, nunca o contrário.

Energia contratada virou a primeira restrição do projeto

Durante anos, a expansão seguiu um roteiro previsível: comprava-se mais espaço, instalavam-se mais fileiras e a parte elétrica acompanhava sem grande drama. Um rack de servidores comuns consumia por volta de dez quilowatts, e a subestação existente absorvia várias trocas de geração de equipamento sem obra nenhuma.

Esse roteiro acabou. Ampliar fornecimento depende de estudo, obra e prazo de concessionária, tempo que não cabe no cronograma de quem precisa entregar capacidade em poucos meses. Muitos projetos passaram a nascer perto de subestação, e não perto do cliente, com a latência entrando na conta depois, como consequência de uma escolha elétrica.

Por que um rack passou a consumir dez vezes mais?

A mudança veio dos aceleradores. Servidores montados para treinar e executar modelos de IA concentram dezenas de processadores gráficos em pouco espaço, cada um com consumo muito acima do de um processador tradicional. Um único desses equipamentos puxa o que antes puxava uma fileira inteira. O consumo não subiu aos poucos: saltou de patamar em uma geração de equipamento.

Com base nisso, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira mostra o efeito no chão da sala: racks dedicados a essas cargas ultrapassam com folga a marca de cem quilowatts, enquanto o restante do ambiente segue na casa de dez ou quinze. Duas realidades térmicas passam a conviver sob o mesmo teto.

O limite físico do ar-condicionado

Ar em movimento carrega pouco calor por volume. Por isso, a refrigeração a ar esbarra em uma faixa conhecida, entre vinte e trinta e cinco quilowatts por rack, acima da qual o resfriamento exigiria uma vazão que a sala não comporta. O obstáculo não é de equipamento. É de física.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira
Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira

Empurrar esse limite custa caro e rende pouco. Aumentar a vazão eleva ruído, consumo dos ventiladores e risco de pontos quentes, porque o ar frio se mistura ao quente antes de alcançar o fundo do rack. Acima de certa densidade, remover calor consome uma parcela crescente da energia total da instalação.

Como funciona a refrigeração líquida direta ao chip?

O líquido resolve porque retira calor na origem. Uma placa metálica é fixada sobre o processador e um fluido circula dentro dela, recolhendo o calor antes que ele se espalhe pelo ambiente. O calor deixa o rack por tubulação, não por corrente de ar, o que muda inteiramente o desenho da sala.

Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira explica que são dois circuitos separados. Um deles roda junto aos equipamentos; o outro leva o calor para fora do prédio, e uma unidade de distribuição faz a ligação entre ambos, mantendo um isolado do outro. O especialista explica o resultado prático: a maioria das instalações fica híbrida, com líquido nos racks densos e ar no restante.

O que muda no prédio, e não só na sala?

Tubulação de água correndo perto de equipamento elétrico exige projeto de contenção, sensores de vazamento e uma rotina de manutenção que a operação a ar nunca pediu. O peso também muda: rack carregado de metal e fluido pressiona um piso elevado que foi dimensionado para outra época.

Os contratos de hospedagem seguiram o mesmo caminho. Em vez de vender metro quadrado, o mercado passou a vender potência e capacidade térmica por posição, com cláusula sobre a densidade máxima aceita. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira revela um detalhe pouco discutido nessa negociação: quem fecha espaço sem verificar o teto de quilowatts por rack descobre o limite com o equipamento já entregue.

Infraestrutura voltou a ser decisão de prazo

Nada disso é assunto restrito à sala de máquinas. Escolher onde instalar capacidade computacional envolve concessionária de energia, clima da região, água disponível e projeto predial, variáveis que estavam fora do vocabulário da área de tecnologia até bem pouco tempo. A decisão passa por engenharia civil e por negociação com fornecedor de energia antes de passar por catálogo de servidor.

O prazo é a parte mais dura de aceitar. Software novo entra em produção em semanas, enquanto ampliar fornecimento elétrico ou refazer o sistema térmico de um prédio leva o tempo que a obra levar. Quem planeja capacidade computacional trabalha com dois relógios, e quem manda é o mais lento.

 

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